segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Alterações quantitativas dos leucócitos em resultados do exame hemograma (série branca ou leucocítica)

Leucocitose: Consiste no aumento do número de leucócitos devido à quimiotaxia e ao estímulo regenerativo dos órgãos hematopoéticos. Ocorre à custa de uma ou mais das variedades de leucócitos, com predominância de elementos maduros. É transitório e pode ser fisiológica ou patológica.
Leucocitose Fisiológica: No recém-nascido: O número de leucócitos atinge 15.000 a 25.000 por milímetro cúbico de sangue, diminuindo progressivamente , até os primeiros meses de vida. Torna-se estacionário em um ano, reduzindo-se gradativamente na puberdade às cifras normais do adulto. Na gravidez: Especialmente nas primíparas, aparece no terceiro mês de gestação, aumentando progressivamente até o término. Durante o parto: Em geral, leucocitose com cerca de 18.000, que desaparece depois dos primeiros dias de puerpério. Durante a digestão: Aparece cerca de uma hora após a refeição rica em protéicos, especialmente depois de um prolongado jejum.
Variações dependentes da hora em que se faz a contagem: O número de leucócitos se encontra, geralmente mais baixo de manhã do que à tarde.
Variações dependentes das diferentes atitudes do corpo: A quantidade de leucócitos são mais elevadas com o indivíduo deitado do que quando em pé ou sentado. Após exercícios musculares: Violentos, massagens, convulsões, crises de pranto, banhos frios.
Leucocitose Patológica: Caracteriza-se geralmente, por alteração da fórmula leucocitária. Ocorre aumento global pelo predomínio de um tipo de célula. Na maioria dos casos as leucocitoses intensas são constituídas por neutrófilos; os outros tipos de células (eosinófilos, linfócitos) em geral resultam de pequeno aumento.
Os fatores que produzem a leucocitose são numerosos e atuam estimulando a atividade dos órgãos hematopoéticos. As substâncias que produzem tal proliferação nem sempre são conhecidas. Podem ser toxinas bacterianas, produtos de desintegração protéica, talves relacionados com ácido nucléico, substâncias químicas, como a terebentina, metástases medulares neoplásicas. A resposta quantitativa varia com a natureza e a intensidade do estímulo e, provavelmente, com a capacidade reacional de cada indivíduo.
Leucocitose das Infecções: A maioria dos processos infecciosos produz leucocitose, a qual é tanto mais intensa quanto mais agudo o processo. O grau de leucocitose varia com a localização, a natureza do processo, virulência da infecção, resistência individual e ausência de complicações. O aumento geral ocorre à custa dos neutrófilos, podendo ser também à custa de outros leucócitos – dos linfócitos, por exemplo, na coqueluche.
Causas de leucocitose: Todas as formas de pneumonia, principalmente a fibrinosa, meningite tuberculosa, escarlatina, difteria, cólera, febre amarela, enfermidade reumática, polineurite aguda, erisipela, coqueluche, varicela, varíola, apendicite aguda, peritonite, colecistite, endocardite, amigdalite, otite, osteomielite, septicemias. Na malária, ocorre leucocitose nos calafrios, seguida de leucopenia.
Leucocitose nas Condições não Infecciosas
Leucocitose nos neoplasmas (carcinoma e sarcoma). Leucocitose pós hemorrágica. Leucocitose pós-traumática: Ocorre após a lesão dos tecidos, ocasionada por operações cirúrgicas, fraturas, etc. Leucocitose por medicamentos e intoxicações: Entre as substâncias que causam leucocitose, destacam-se as seguintes: extratos de órgãos ricos em àcidos nucleicos, adrenalina, colargol, terebentina, cânfora, antipirina, fenacetina, digital, pirogalol. As intoxicações pelo monóxido de carbono e pelo chumbo. Doses fracas de raios X produzem leucocitose temporária.
Observa-se leucocitose discreta, na ausência de infecções, nas seguintes afecções: raquitismo, gota, cirrose hepática, atrofia amarela aguda do fígado, obstrução intestinal, uremia, coma diabético, enfarte do miocárdio, taquicardia.
Leucocitose das moléstias cardíacas. Leucocitose das desidratações: Vômitos, diarréias e transpirações profusas podem ser acompanhados de leucocitose, por concentração do volume sangüíneo.
Leucopenia: Consiste na diminuição do número de leucócitos; a redução se faz geralmente à custa dos neutrófilos, trazendo em consequência, linfocitose relativa. A leucopenia ocorre: Por produção menor de leucócitos: A causa pode decorrer de depressão dos tecidos leucopoéticos, por intoxicação ou infecção, ou por interferência mecânica de outros tecidos de de neoformação metaplásica. Por destruição maior de leucócitos. Por alteração na distribuição dos leucócitos na corrente sangüínea.
Condições Geralmente Acompanhadas de Leucopenia
Infecções: Febres tifóide e paratifóide, brucelose, dengue, rubéola, cachumba, gripe, malária (fora dos acessos febris), calazar, tripanossomose, sarampo, varíola, poliomielite, tuberculose, toxemias graves, AIDS.
Intoxicações: Benzeno, arsênio, antimônio, chumbo, piramido, dinitrofenol. Exposição aos raios X.
Doenças do sistema hematopoético: Anemia aplásica, anemia perniciosa, esplenomegalia congestiva, síndrome de Felty, doença de Hodgin estados aleucêmicos das leucoses.
Outros: Estados graves de desnutrição (câncer do esôfago, inanição, catexia), choque traumático agudo, crise hemoclássica (por alergia alimentar).
Neutrofilia: Um aumento da contagem absoluta de neutrófilos acima da que seria esperada em um indivíduo sadio de mesmo sexo, idade, raça e estado fisiológico. Durante a gravidez há considerável aumento na contagem de neutrófilos, a qual se acentua ainda mais durante o trabalho de parto e período pós parto. A neutrofilia deve-se, usualmente à redistribuição dos leucócitos ou aumento da liberação pela medula óssea.
O exercício pode alterar a distribuição dos leucócitos na circulação, causando mobilização para a corrente sangüínea de células previamente marginalizadas contra o endotélio. O exercício vigoroso pode duplicar a contagem de neutrófilos. O número absoluto de linfócitos, monócitos eosinófilos e basófilos também aumenta, mas como o aumento do número de neutrófilos é mais acentuado, o aumento dos outros tipos celulares pode passar desapercebido.
A administração de adrenalina as convulsões epileptiformes podem mobilizar neutrófilos de maneira análoga, e até mesmo a dor intensa pode ter efeito sobre a contagem de neutrófilos. Os corticosteróides também alteram a cinética dos neutrófilos, a liberação pela medula óssea está aumentada e ocorre diminuição concominante do egresso para os tecidos.
Em condições patológicas a neutrofilia costuma resultar do aumento da liberação medular, o qual mais que compensa o egresso aumentado para os tecidos.
São Causas de Neutrofilia
Hereditárias: Neutrofilia hereditária; Deficiência genética de receptores de complemento CR3; Deficiência de expressão das moléculas de adesão na superfície dos leucócitos.
Adquiridas: Infecções bacterianas agudas e crônicas. Infecções virais: Varicela, herpes simples, raiva, poliomielite, hantavírus, encefalite.
Infecções fúngicas: Actinomicose, coccidioidomicose e blastomicose norte americana. Parasitoses: Fasciolíase hepática, amebíase hepática e filaríase. Dano tecidual: Trauma, cirurgia (particularmente esplenectomia), queimaduras, necrose hepática aguda e pancreatite aguda.
Infarto tecidual: Infarto do miocárdio, embolia pulmonar causando infarto pulmonar, crise falciforme, doença ateroembólica.
Inflamação aguda e inflamação crônica grave: Gota, febre reumática, artrite reumatóide, colite ulcerativa. Hemorragia aguda. Hipóxia aguda.
Estresse pelo calor. Desordens endócrinas e metabólicas: Cetoacidose diabética, insuficiência renal aguda, Síndrome de Cushing, crise tireotóxica. Doenças malignas: Particularmente quando há doença extensa ou necrose tumoral como carcinoma, sarcoma, melanoma, doença de hodgkin. Leucemias e síndromes mieloproliferativas: Leucemia mielóide crônica (LMC), Policitemia Vera, trombocitemia essencial, mielofibrose idiopática.
Outras condições que causam neutrofilia: Rebote pós neutropenia: Por exemplo, após neutropenia induzida por diálise, na recuperação da agranulocitose e da quimioterapia citotóxica e no tratamento da anemia megaloblástica. Administração de citocinas: G-CSF, GM-CSF, IL-1, IL-3, IL-6. Administração de drogas: Adrenalina, corticóides, lítio e clozapina. Intoxicação: Por vários tipos de drogas e agentes químicos. Envenenamento: Picada do escorpião ou o ataque da “abelha assassina”. Reações de hipersensibilidade: Incluindo as causadas por drogas. Tabagismo. Exercício vigoroso. Dor aguda: Convulsões epiléticas, choque elétrico, taquicardia paroxística. Eclâmpisia e pré-eclâmpsia.
Neutropenia: É a redução da contagem absoluta de neutrófilos abaixo da que seria esperada em um indivíduo de mesmo sexo, idade, estado fisiológico e origem étnica. No que diz respeito aos negros, é particularmente importante usar uma faixa de referência apropriada, a fim de evitar um diagnóstico errôneo de neutropenia, uma vez que os africanos e, em menor grau, os negros americanos e afro-caribenhos têm contagens de neutrófilos mais baixas que os brancos. A neutropenia pode ser isolada ou fazer parte de uma pancitopenia.
Os mecanismos de neutropenia incluem:
Produção inadequada pela medula óssea, decorrente da substituição medular ou granulopoese ineficaz;
Destruição pelos macrófagos da medula óssea e por outras células reticuloendoteliais nas síndromes hemofagocíticas;
Liberação medular defeituosa, como na rara mielocatexia;
Redistribuição dentro da vasculatura, como ocorre no começo da hemodiálise;
Retenção no baço;
Sobrevida intravascular encurtada, como nas nutropenias imunes; (g) rápido egresso para os tecidos, quando a liberação medular não aumenta adequadamente, como nos recém-nascidos com sepse.
São Causas de Neutropenia
Infecções virais: Sarampo, caxumba, rubéola, influenza, hepatite infecciosa, mononucleose infecciosa, citomegalovirose, febre amarela, dengue, infecção pelo HIV em estágio avançado; Infecções bacterianas: Febre tifóide, brucelose, alguns casos de tuberculose miliar, no início de algumas infecções por gram negativos, infecção bacteriana avassaladora, infecção bacteriana em recém-nascidos, infecções por rickettsias. Infecções por protozoários: Malária, calazar e tripanossomíase. Infecções fúngicas: Histoplasmose. Drogas: Agentes alquilantes e outros antineoplásicos e drogas correlatas, reação idiossincrásica a drogas (mais comuns com drogas antitireóideas, sulfonamidas, clorpromazina, ouro), interferon. Irradiação. Substituição da medula óssea: LLA, no mieloma múltiplo, ou no carcinoma. Mielofibrose idiopática e secundária. Granulopoese ineficaz: como na maioria dos casos de LMA e SMD. Anemias: Megaloblástica, aplásica, Hemoglobinúria paroxística noturna. Anafilaxia aguda.
Outras condições que causam neutropenia: Hiperesplenismo. Síndromes hemofagocíticas; Neutropenia imunológica; Neutropenia cíclica, incluindo a neutropenia cíclica que acomete o adulto, associada à leucemia de linfócitos grandes e granulados. Hemodiálise e leucoferese de filtração (no início dos procedimentos). Desordens endócrinas: Hipopituitarismo, a doença de Addison e o hipertireoidismo. Alcoolismo. Deficiência de cobre. Hipercarotenemia.
Desvio a esquerda:
Ocorre quando há aumento do número de bastonetes em relação ao número de neutrófilos segmentados é denominado desvio à esquerda. Quando ocorre desvio à esquerda, também podem ser liberados no sangue precursores de neutrófilos, mais imaturos que os bastonetes (metamielócitos, mielócitos, pró-mielócitos, células blásticas).
O desvio à esquerda é uma ocorrência fisiológica na gravidez. Quando não associado a gravidez indica resposta à infecção, inflamação ou outra forma de estímulo à medula óssea.
Desvio a direita:
No sangue normal, a maioria dos neutrófilos tem de um a cinco lóbulos. Os neutrófilos com seis lóbulos são raros. Diz-se que há desvio à direita quando a contagem lobular média acha-se aumentada, ou quando há uma percentagem elevada de neutrófilos com cinco ou seis lóbulos. A presença de mais de 3% de neutrófilos com mais de cinco lóbulos é o indicador mais prático de desvio à direita. O desvio à direita é visto na anemia megaloblástica, ocasionalmente em pacientes com deficiência de ferro, infecção ou uremia, ou como característica hereditária rara, herdada de forma autossômica dominante.
Eosinofilia:
É a elevação da contagem de eosinófilos acima dos níveis observados em indivíduos sadios, de mesma idade, que não têm história de alergia. As contagens de eosinófilos são mais altas em recém-nascidos do que em adultos. Ao contrário de relatos anteriores, aceita-se que não variam entre diferentes grupos étnicos. O exercício vigoroso aumenta a contagem de eosinófilos, que é proporcional ao aumento dos demais leucócitos.
Causas Mais Comuns de Eosinofilia
Doenças alérgicas: Eczema atópico, asma, rinite alérgica, urticária aguda, aspergilose broncopulmonar e outras infecções fúngicas broncoalérgicas. Hipersensibilidade medicamentosa: Ouro, sulfonamidas, penicilina e nitrofurantoína
Infecção parasitária: Veja neste texto sobre eosino e parasitas.
Doenças cutâneas: Pênfigo, o penfigóide bolhoso, o herpes gestacional e a foliculite pustular eosinofílica.
Eosinopenia:
É a redução das contagen de eosinófilos abaixo do que seria esperado em um indivíduo da mesma idade. A eosinopenia raramente é notada na distensão sangüínea de rotina, e não pode ser detectada a contagem diferencial de rotina de 100 leucócitos, uma vez que eosinófilo é uma célula de baixa percentagem. Desde a introdução das contagens diferenciais automatizadas, a eosinopenia é observada com freqüência bem maior, mas por se tratar de uma anormalidade inespecífica comum, sua detecção não tem grande importância clínica.
Algumas Causas de Eosinopenia
Estresse agudo: Incluindo trauma, cirurgia, queimaduras, convulsões epleptiformes, infecções agudas, inflamação aguda, infarto do micárdio, anóxia e exposição ao frio. Síndrome de Cushing. Drogas: Corticosteróides, ACTH, adrenalina,  – agonistas, histamina e aminofilina; Hemodiálise (durante o procedimento)
Basofilia:
A detecção de leucocitose basofílica é útil na diferenciação entre desordem mieloproliferativa e condição reacional, já que somente nas desordens mieloproliferativas, e em alguma leucemias, é comum observar aumento acentuado da contagem de basófilos.
Na leucemia mielóide crônica, o aumento das contagens de basófios é importante para o prognóstico, pois freqüentemente indica fase acelerada da doença e transformação blástica iminente.
A basofilia associada a leucemia linfóde aguda pode indicar que o paciente é Filadélfia positivo, e a basofilia na leucemia mielóide aguda pode indicar positividade para o cromossoma Piladélfia, ou a presença de translocação (6;9)(p23;q34.3); ambas anormalidades cariotípicas indicam prognóstico adverso. A leucemia basofílica é freqüêntemente Filadélfia positiva, e neste caso deve ser considerada variante da leucemia mielóide crônica.
Algumas Causas de Basofilia
Desordens leucêmicas e mieloproliferativas: Leucemia mielóide crônica, leucemia mielóide aguda (muito raramente), policitemia vera, trombocitemia essencial, mielofibrose idiopática, mastocitose sistêmica, alguns casos de leucemia linfóide aguda Filadélfia positivas, leucemia basofílica.
Basofilia reacional: Mixedema (hipotireoidismo), colite ulcerativa, estados de hipersensibilidade, administração de estrógeno, hiperlipidemia, síndrome hipereosinofílica idiopática, administração de IL-3.
Basopenia:
É a redução da contagem de basófilos abaixo da que seria esperada em um indivíduo sadio. As contagens de basófilos são tão escassas no sangue normal que sua redução não é notada ao exame da distensão ou a contagem diferencial de 100 leucócitos, e pode não ser percebida até mesmo na contagem diferencial de 500 leucócitos. A basopenia pode ser detectada quando a contagem diferencial é realizada em contadores automatizados, uma vez que estes têm faixas de referência para basófilos que não incluem o zero. Porém, a observação de basopenia não tem sido considerada de importância diagnóstica.
Linfocitose:
É o aumento absoluto de linfócitos acima do que seria esperado em um indivíduo sadio da mesma idade. Uma vez que as contagens de linfócitos de lactentes e crianças são consideravelmente mais altas que as dos adultos, é particularmente importante usar faixas de referência adaptadas às idades. A contagem de linfócitos não difere entre os sexos, nem entre diferentes grupos étnicos.
Algumas Causas de Linfocitose
Infecções virais: Sarampo, rubéola, caxumba, varicela, influenza, hepatite infecciosa (hepatite A), mononucleose infecciosa, citomegalovirose, infecção pelo HIV. Infecçòes bacterianas: Coqueluche, brucelose, tuberculose, sífilis, peste, infecção por rickettsias e infecções bacterianas em lactentes e crianças pequenas.Esplenomegalia malárica hiperreativa. Linfocitose transitória : Relacionada ao stresse, infarto do miocárdio, parada cardíaca, trauma, complicações obstétricas e crise falciforme. Injeção de adrenalina. Contração muscular vigorosa. Tabagismo: Causando linfocitose T (comum), ou a linfocitose B policlonal persistente (rara). Administração de citocinas: IL –3 ou o G-CSF. Reações alérgicas a drogas. Esplenectomia. Desordens endócrinas: Doença de Addison, hipopituitaismo, hipertireoidismo. Beta talassemia intemediária. Doença de Gaucher. Timona. Leucemias linfóides e outras desrodens linfoproliferativas: LLC, linfoma não Hodgkin, doença de Hodgkin (raramente), leucemia das células cabeludas, macroglobulinemia de Waldenströn, doença de cadeia pesada, micose fungóide e síndrome de Sézary, leucemia de linfócitos grandes e granulados.
Linocitopenia:
É a redução das contagens de linfócitos abaixo da que seria esperada em um indivíduo sadio da mesma idade. A linfocitopenia é extremamente comum como parte da resposta aguda ao estresse, embora seja freqüentemente obscurecida pelas alterações neutrofílicas coexistentes.
Sua detecção é mais provável quando se faz uma contagem diferencial automatizada e quando as contagens são expressas em números absolutos. Com a crescente importância do diagnóstico da AIDS, caracterizada por linfocitopenia, cuja severidade se acentua com a evolução da doença, é importante lembrar que a linfocitopenia é comum em pacientes agudamente enfermos, independente da natureza da doença subjacente.
Principais Causas de Linfocitopenia
Estresse agudo: Trauma, cirurgia, queimaduras, infecção aguda, insuficiência hepática fulminante. Insuficiência renal: Aguda e crônica (incluindo os pacientes em diálise). Síndrome de Cushing e administração de corticosteróides e ACTH. Carcinoma: Particularmente em doença avançada. Doença de Hodgkin: Particularmente em doença avançada. Alguns linfomas não Hodgkin. Linfopatia angioimunoblástica. AIDS: Estágio final. Terapia citotóxica e imunossupressora: Globulina antilinfocítica e antitimocítica, tratamento com clozapina. Irradiação. Alcoolismo. Artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico. Anemia aplásica e agranulocitose. Síndromes mielodisplásicas. Anorexia nervosa. Anemia ferropriva. Aferese plaquetária crônica. Doença do enxerto versus hospedeiro.
Monocitose:
É o aumento da contagem de monócitos acima do que seria esperada em um indivíduo sadio da mesma idade. O número absoluto de monócitos é mais elevado em recém-nascidos do que em outros períodos da vida. Na gravidez ocorre aumento semelhante ao aumento nas contagens de neutrófilos. Ao examinar a distensão sangüínea de um paciente com monocitose a esclarecer, devem ser procuradas outras evidências de infecção crônica ou mielodisplasia. A presença de pró-monócitos e blastros sugere LMA com diferenciação monocítica ou hitiocitose malígna.
Causas Mais Comuns de Monocitose
Infecção crônica: Tuberculose miliar e síflis congênita. Condições inflamatórias crônicas: Artrite reumatóide e lúpus eritematoso sistêmico.
Carcinoma. Administração de citocinas: G-CSF, o GM-CSF, o M-CSF e a IL-3. Reação medular após quimioterapia. Condições leucêmicas e mieloproliferativas: LMC, LMA, histiocitose malígna. Neutropenia cíclica: Neutropenia idiopática crônica alguns casos de neutropenia causadas por drogas. Hemodiálise a longo prazo.
Monocitopenia:
Ocorre nos processos sépticos muito graves e nas leucemias mielóides e linfóides.


Read more: http://www.plugbr.net/hemograma-completo-um-resultado-de-exame-de-sangue-com-muitas-informacoes/#ixzz3C5pHrwPi

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Síndrome de Löeffler/Eusinofilia

A síndrome de Löeffler é uma afecção na qual há o acúmulo de eosinófilos (um tipo de leucócito) no tecido pulmonar, tipicamente em resposta a uma parasitose. No entanto, existem outras causas desta síndrome, como a hipersensibilidade a um antígeno inalado ou ingerido, neoplasias (como leucemia) e efeitos secundários a fármacos.
Foi descrita primeiramente pelo médico Wilhelm Löeffler, que identificou pneumonia eosinofílica em pacientes, resultante da infecção por alguns parasitas, como Ascaris lumbricoides, Strongyloides stercoralis, Ancylostoma duodenale e Necator americanus.
No caso do Ascaris lumbricoides, após a ingestão dos ovos dos parasitas, os mesmos eclodem no trato gastrointestinal, penetram na parede do intestino delgado, alcançando os vasos linfáticos e vênulas, migrando, então, para a circulação pulmonar. Por conseguinte, acomodam-se nos capilares pulmonares e continuam o ciclo, migrando através das paredes dos alvéolos. Por fim, migram para a região superior da árvore brônquica, são deglutidos e chegam ao intestino, local onde ocorre a passagem do parasita para a forma adulta. Os outros parasitas, como o Necator americanus, oAncylostoma duodenale e o Strongyloides stercoralis apresentam um ciclo semelhante; todavia, entram no organismo através da pele.
Embora esta síndrome possa ser assintomática, os pacientes podem apresentar astenia, febre moderada, tosse seca, dispneia sibilante, distúrbios digestivos e artralgia.
O diagnóstico é feito por meio do quadro clínico, em associação com a presença de certas alterações em exames de imagem e de sangue. Radiografias torácicas evidenciam múltiplas lesões, pouco delimitadas e, em raros casos, pneumonia fraca e bronquiectasia. Exames de sangue revelam eosinofilia sanguínea. Nos casos de parasitose, o diagnóstico é confirmado observando-se ovos dos parasitas no exame de fezes.
O melhor tratamento para a síndrome de Löeffler é o etiológico. No caso de eosinofilia resultante do uso de fármacos, o mesmo deve ser suspenso. No caso de eosinofilia ocasionada por uma parasitose, realizar o tratamento farmacologia, que habitualmente envolve o uso de albendazol, ivermectina, praziquantel e dietilcarbamacina. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de cirurgia.
Fontes:
http://www.monografiaac.com.br/medicina/eosinofilia-sindrome-loeffler.html
http://es.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_L%C3%B6ffler
http://emedicine.medscape.com/article/1002606-overview
http://www.sopterj.com.br/revista/2005_14_4/11.pdf

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Assistência Farmacêutica
A Assistência Farmacêutica (AF) reúne um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, por meio da promoção do acesso aos medicamentos e uso racional. No Ministério da Saúde, tais ações consistem em promover a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como sua seleção, programação, aquisição, distribuição e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população.

Componente Básico da Assistência Farmacêutica
A Assistência Farmacêutica na Atenção Básica é financiada pelo Ministério da Saúde, Estados e Municípios. De acordo com a Portaria n° 4.217, de 29 de dezembro de 2010, a partida federal é de R$ 5,10/habitante/ano, e as contrapartidas estadual e municipal devem ser de no mínimo R$ 1,86/habitante/ano cada, sendo que esses recursos devem se aplicados no custeio dos medicamentos destinados aos agravos prevalentes e prioritários da Atenção Básica, presentes na RENAME 2010. Também podem ser comprados com esses recursos, os medicamentos fitoterápicos estabelecidos na Portaria n° 4.217, e medicamentos homeopáticos constantes na Farmacopéia Homeopática Brasileira 2ª edição. Um percentual de até 15% da soma das contrapartidas estaduais e municipais pode ser aplicado também em ações de estruturação das Farmácias do SUS, e qualificação dos serviços farmacêuticos destinados à Assistência Farmacêutica Básica.

O montante federal é repassado mensalmente pelo Fundo Nacional de Saúde, aos estados e/ou municípios, de forma regular e automática, em parcelas de um doze avos. A contrapartida estadual é realizada por meio do repasse de recursos financeiros aos municípios, ou em alguns casos, por meio do fornecimento de medicamentos básicos, definidos e pactuados pelas Comissões Intergestores Bipartites. A contrapartida municipal deve ser realizada pelas prefeituras, com recursos do tesouro municipal, e destinados ao custeio dos medicamentos básicos previstos na RENAME 2010, ou ainda em ações de estruturação e qualificação da Assistência Farmacêutica Básica, respeitados os limites e demais normas estabelecidas na Portaria n° 4.217. No âmbito deste Componente, além do repasse financeiro aos estados e/ou municípios, o Ministério da Saúde também é responsável pela aquisição e distribuição das Insulinas Humanas NPH e Regular (frascos de 10 ml) e dos Contraceptivos orais e injetáveis, além do DIU e Diafragma. As insulinas e os contraceptivos são entregues nos Almoxarifados de Medicamentos dos Estados, a quem compete distribuí-los aos municípios. Os municípios das capitais e os grandes municípios brasileiros, com população maior que 500 mil habitantes, recebem os contraceptivos diretamente dos fornecedores contratados pelo Ministério da Saúde. Estados e municípios são responsáveis pelo financiamento e aquisição de tiras reagentes para dosagem da glicemia capilar, lancetas e seringas com agulha acoplada.


Componente Especializado da Assistência Farmacêutica
O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF), aprovado por meio da Portaria GM/MS nº 2.981 de 26 de novembro de 2009 é uma estratégia de acesso a medicamentos no âmbito do Sistema Único de Saúde. Sua principal característica é a busca da garantia da integralidade do tratamento medicamentoso, em nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), publicados pelo Ministério da Saúde. Este Componente foi aprovado no sentido de aprimorar e substituir o Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional, entendendo que o mesmo tem uma importância fundamental para o acesso da população brasileira aos medicamentos para agravos importantes, tanto do ponto de vista epidemiológico quanto clínico.
O objetivo majoritário do CEAF é garantir tratamento em todas as fases evolutivas das doenças contempladas e, para isso, fez-se necessário uma avaliação sobre o tratamento de tais doenças, com base nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas aprovados pelo Ministério da Saúde. Este olhar foi construído, também, levando-se em consideração a abordagem terapêutica na atenção básica, visto que muitas doenças contempladas no CEAF requerem, inicialmente, uma abordagem em nível básico da assistência. Por isso, o aprimoramento do Componente de Medicamentos de Dispensação Excepcional por meio da aprovação do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica ocorreram de forma integrada com a aprovação da Portaria GM nº 2.982 de 26 de novembro de 2009.
Os medicamentos que constituem as linhas de cuidado para as doenças contempladas neste Componente estão divididos em três grupos com características, responsabilidades e formas de organização distintas. O Grupo 1 é aquele cujo financiamento está sob a responsabilidade exclusiva da União. É constituído por medicamentos que representam elevado impacto financeiro para o Componente, por aqueles indicados para doenças mais complexas, para os casos de refratariedade ou intolerância a primeira e/ou a segunda linha de tratamento e que se incluem em ações de desenvolvimento produtivo no complexo industrial da saúde. O Grupo 2 é constituído por medicamentos, cuja responsabilidade pelo financiamento é das Secretarias Estaduais da Saúde. O Grupo 3 é constituído por medicamentos, cuja responsabilidade pelo financiamento é tripartite, sendo a aquisição e dispensação de responsabilidade dos municípios sob regulamentação da Portaria GM nº 2.982/2009.
Os medicamentos do Grupo 1 devem ser dispensados somente para as doenças (CID-10) contempladas no Componente e divide-se em: Grupo 1A - medicamentos com aquisição centralizada pelo Ministério da Saúde e Grupo 1B - medicamentos adquiridos pelos estados com transferência de recursos financeiros pelo Ministério da Saúde, na modalidade Fundo a Fundo. A responsabilidade pelo armazenamento, distribuição e dispensação dos medicamentos do Grupo 1 (1A e 1B) é das secretarias estaduais de saúde. Este Grupo é composto por 68 fármacos em 128 apresentações farmacêuticas, sendo que destes, 27 fármacos em 46 apresentações são adquiridos pelo Ministério da Saúde. Os medicamentos do Grupo 2 devem ser adquiridos, financiados e dispensados pelas secretarias estaduais de saúde. Este Grupo é composto por 43 fármacos em 110 apresentações farmacêuticas.
Independentemente do Grupo, o fornecimento de medicamentos padronizado no CEAF deve obedecer aos critérios de diagnóstico, indicação de tratamento, inclusão e exclusão de pacientes, esquemas terapêuticos, monitoramento, acompanhamento e demais parâmetros contidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) estabelecidos pelo Ministério da Saúde, de abrangência nacional. As regras para a dispensação dos medicamentos do Grupo 3 estão regulamentadas na Portaria GM nº 2.982/2009 que aprova a Assistência Farmacêutica na Atenção Básica.
Considerando os medicamentos dos Grupos 1, 2 e 3, o CEAF é composto por 150 fármacos em 310 apresentações farmacêuticas indicados para o tratamento das diferentes fases evolutivas das doenças contempladas.

Componente Estratégico

O Ministério da Saúde - MS considera como estratégico todos os medicamentos utilizados para tratamento das doenças de perfil endêmico e que tenham impacto socioeconômico. Além disso, esses medicamentos têm controle e tratamento por meio do protocolo e normas estabelecidas.

Programas Estratégicos

Tem como objetivo garantir o acesso aos medicamentos por portadores de doenças que configuram problemas de saúde pública, consideradas como de caráter estratégico pelo MS. Constituem Programas de saúde estratégicos:
» Controle da Tuberculose
» Controle da Hanseníase
» DST/AIDS
» Endemias Focais
» Sangue e Hemoderivados
» Alimentação e Nutrição
» Controle do Tabagismo
Veja a competência de cada instituição em relação aos medicamentos estratégicos:





Ministério da Saúde
» Protocolos de tratamento;
» Planejamento;
» Aquisição centralizada;
» Distribuição aos Estados.

Secretarias Estaduais de Saúde
» Armazenamento;
» Distribuição às Regionais ou Municípios.


Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1000